Pergunte a qualquer um à sua volta: o que significa estar em paz? O que significa sentir-se verdadeiramente à vontade, com o sol a dissipar as nuvens das tempestades que assolam a nossa mente? A resposta raramente vem fácil, porque, sejamos honestos, a paz parece uma miragem distante. Estamos, na sua grande maioria, enredados numa sinfonia de tagarelice interna, uma ruminação incessante que nos arrasta para um estado de hipervigilância, neuroticismo e uma tendência quase magnética para as emoções negativas. Vivemos num mal-estar constante, alienados do nosso próprio corpo, da nossa própria essência. Não é por acaso que a epidemia de saúde mental galopa, e quando o número de mortes por suicídio supera a soma dos desastres naturais e conflitos armados, é impossível ignorar: algo, na nossa forma de viver e pensar, está profundamente quebrado. 💔
O Labirinto Inefável da Alma 🌌
Mas como abordar essa fratura quando o que está partido é invisível aos olhos e inquantificável pela lógica cartesiana? Como consertar a nossa psique se, por design, ela é tão inefável e metafísica? Presos nas armadilhas de uma visão de mundo materialista, alienamo-nos da nossa psicologia interior, tornando-nos estranhos a nós mesmos. Somos forasteiros numa terra que deveria ser o nosso porto mais seguro: a nossa mente. Ansiosos, obcecados pelo trivial, encurralados em pensamentos excessivos e ruminações, questionamos: o que é preciso para encontrar essa tão almejada "facilidade", para acolher a quietude e a paz interior?
Não se trata de uma fórmula secreta ou de uma receita a seguir. O que é preciso, meus amigos, é uma espécie de intervenção. Não uma que nos seja contada, mas uma que seja vivenciada, um "conhecimento por familiaridade". Ninguém nos pode descrever o que está "para lá do espelho" ou como é a "Matrix"; temos de o ver por nós próprios. Como o escritor Chris Lefebe observa, para alguém preso na sala dos espelhos da ansiedade e das narrativas autodestrutivas, não basta dizer-lhes como se libertarem; é preciso mostrar-lhes o caminho. É preciso parar de tentar fazer arte e, em vez disso, tornar-se arte.
O Salto de Fé no Vazio Existencial 🤸
Este caminho exige um salto de fé, uma espécie de morte simbólica para quem fomos até agora. Pense-se num mergulho psicológico no céu, uma queda de confiança onde abdicamos do controlo. Devemos estar dispostos a viver no paradoxo, a render todas as nossas possibilidades pré-concebidas e confiar que aterrará numa cama de penas, mesmo que o chão pareça duro. Há que haver uma vontade de "escorregar na casca de banana" da vida, para nos encontrarmos num lugar onde percebemos que tudo o que temíamos era, afinal, apenas uma tempestade psíquica. Aquela velha máxima torna-se visceralmente verdadeira: "O medo é o assassino da mente." A questão é, então: como matamos o medo e, em vez disso, acolhemos a facilidade e a graça?
É tempo de sacudir os "globos de neve" da nossa rigidez existencial e ruminativa. É imperativo transcender as velhas narrativas de disco riscado que contamos a nós próprios e que já não nos servem. Precisamos de nos mover para domínios onde possamos "nascer de novo", não numa perspetiva religiosa, mas como uma redescoberta profunda. Nascer duas vezes é experimentar uma perceção virginal do mundo sensível – despertar a atenção da mente da letargia do costume e redirecioná-la para as maravilhas da existência. ✨
A Visão Virgem e o Infinito Revelado 🖼️
Michael Pollan chamou a isto o "sentido da primeira vista", desimpedido pelo conhecimento prévio. É o que o pintor Miró queria dizer quando afirmou: "Para ver algo, deves esquecer o nome da coisa que estás a ver." Se esquecermos os rótulos, as expectativas, as histórias que nos contaram sobre as coisas – e sobre nós mesmos – abrimos a porta para universos de possibilidade que estavam velados. A graça é infundida pela cor, o invisível é revelado, e o mundano é varrido por um assombro puro. Nesta aniquilação das tempestades psíquicas, encontramo-nos renascidos, cheios de gratidão e inteireza, livres do mal-estar que nos consumia.
Este é o nosso caminho para a redenção. É assim que superamos o ego que se tornou um tirano, e como libertamos os "deuses corajosos e imprudentes" que habitam em cada um de nós. A alternativa, como brilhantemente escreveu David Foster Wallace, é a inconsciência, o "modo padrão", a corrida de ratos incessante e uma sensação corrosiva de ter tido e perdido algo infinito.
Recuperar essa "coisa infinita" é encontrar a facilidade, a graça, a gratidão e, em última instância, a totalidade. Não desejo nada menos para si, nem para mim. Afinal, este é o nosso êxtase comum, o tesouro que espera ser redescoberto dentro de cada um de nós. 💫




