editorial noturno

Alan Watts - Acceptance of Death

Descrição

"Se tens medo da morte, tem medo. A questão é aceitá-lo, deixar que ele assuma o controlo — o medo, os fantasmas, as dores, a transitoriedade, a dissolução e tudo o mais. E então surge a surpresa, até agora inacreditável; tu não morres porque nunca nasceste. Simplesmente tinhas esquecido quem és." (Lembra-te de subscrever e de colocar "gosto" no vídeo, por favor!) Facebook: https://www.facebook.com/LifeEternal0

Transcrição completa

Agora, não há realmente nada de radicalmente errado

em estar doente ou em morrer.

Quem disse que é suposto sobreviveres?

Quem te deu a ideia de que é ótimo continuar e continuar?

E não podemos dizer que é bom que tudo continue a viver,

pela simples demonstração de que, se permitirmos que todos continuem a viver,

ficamos sobrepovoados.

Por isso, de certa forma, uma pessoa que morre é honrada

porque está a dar lugar a outras.

Também podemos analisar melhor a questão e ver

que, se a nossa morte pudesse ser adiada indefinidamente,

na realidade não continuaríamos a adiá-la para sempre.

Porque, a partir de certo ponto, perceberíamos

que não é dessa forma que gostaríamos de sobreviver.

Senão, por que motivo teríamos filhos?

Porque os filhos permitem-nos sobreviver de outra forma,

como se estivéssemos a passar o testemunho,

para não termos de o carregar o tempo todo.

Chega a um ponto em que o podes entregar

e dizer: "Agora trabalha tu."

É um arranjo muito mais divertido para a natureza

continuar o processo da vida através de indivíduos diferentes do que sempre com o mesmo indivíduo.

Porque, à medida que cada novo indivíduo se aproxima da vida, a vida renova-se,

e lembramo-nos de como as coisas mais comuns do dia a dia são fascinantes para uma criança,

porque ela as vê todas como maravilhosas,

porque as vê de uma forma que não está relacionada com a sobrevivência e o lucro.

Quando começamos a pensar em tudo em termos de sobrevivência e valor de lucro, como fazemos,

então as formas dos riscos no chão deixam de ter magia,

e a maioria das coisas, na verdade, deixa de ter magia.

Portanto, no curso da natureza, quando deixamos de ver magia no mundo,

já não estamos a cumprir o jogo da natureza de ter consciência de si mesma.

Deixa de fazer sentido.

E por isso morremos.

E assim nasce outra coisa, que obtém uma perspetiva totalmente nova.

Portanto, não é natural desejarmos prolongar a vida indefinidamente,

mas vivemos numa cultura onde nos foi inculcado de todas as formas possíveis

que morrer é algo terrível.

E essa é uma doença enorme de que a nossa cultura em particular sofre.