4 Dicas EFICAZES para lidar com crianças com Autismo em sala de aula
Descrição
Conheça a nossa Pós-Graduação em ABA, agora reformulada, com novos Professores (100% Mestres e Doutores): https://www.cbiofmiami.com/pos-aba Plataforma de cursos Luna ABA: https://lunaeducacao.com.br/ O Autismo é uma condição presente desde a infância, mas que se manifesta em qualquer idade e ao longo de toda a vida. O PEA - Perturbação do Espectro do Autismo é uma deficiência na interação social e comportamental, evidente em muitas características do dia a dia, e não é diferente na vida escolar destas pessoas. Em resultado da pandemia que atravessámos, estamos a enfrentar muitos problemas no âmbito escolar; apesar disso, neste vídeo vamos apresentar 4 dicas práticas a serem adotadas por si, profissional que tem interesse e gosta deste tipo de assunto e, acima de tudo, pela importância que têm para um quotidiano de maior qualidade para o aluno que necessita destas boas práticas. A relação entre previsibilidade e comportamento problemático para alunos com deficiências graves. https://psycnet.apa.org/record/1995-15343-001 Lucelmo Lacerda é Professor, Doutor em Educação pela PUC-SP com estágio pós-doutoral em Psicologia na UFSCar, Psicopedagogo, Professor da Especialização em ABA do CBI of Miami e da Especialização em Autismo da Universidade Federal de Tocantins, atuou como especialista no Grupo de Trabalho do Conselho Nacional de Educação Especial - CNE para a elaboração de novas Diretrizes Nacionais de Educação Especial. Para adquirir o livro Transtorno do Espectro Autista: uma brevíssima introdução, do Prof. Lucelmo Lacerda: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-2009174918-transtorno-do-espectro-autista-uma-brevissima-introduco-_JM E-mail para contacto: lucelmolacerda@gmail.com Clínica de Intervenção Luna ABA: http://lunaaba.com.br/ Redes sociais Instagram: www.instagram.com/lucelmo.lacerda/ www.instagram.com/aba.luna.autismo/ Facebook: www.facebook.com/prof.lucelmo/ www.facebook.com/lunaabaBR/ Endereço para correspondência: Av. Alfredo Ignácio Nogueira Penido, nº 335, Sala 401, Parque Residencial Aquarius, São José dos Campos/SP, CEP: 12246-000
Transcrição completa
Olá pessoal, tudo bem? Voltámos à sala de aula e estamos a enfrentar muitos problemas de agressividade e outros comportamentos inadequados, muitos.
Indivíduos que não entram na sala, ou que não ficam na sala, ou se ficam, né, se entram, podem apresentar agressividade contra outras pessoas, contra si mesmos, gritos, um monte de problemas, porque os indivíduos são muito mais sensíveis.
Devido a todo este período em que estiveram em casa, sem fazer atividades, na maioria das vezes, sem este contacto social, sem este ambiente com tanto barulho, com tantos estímulos, com tudo isso. E então, precisamos de saber o que vamos fazer.
Não é chamar os pais para ir buscar a criança, pelo amor de Deus. Essa é a pior solução. Pode estar a ensinar o indivíduo a ser mais agressivo. Pode estar a decidir um dos piores estímulos possíveis para esse indivíduo sem saber. Eu sei que não é por mal, mas pode estar a fazer isso se estiver a chamar os pais para ir buscar o indivíduo.
Eu sei que vocês também estão numa situação difícil, quem é professor, não é? Estão numa situação difícil, porque também não sabem o que fazer. Vou dar-vos aqui quatro dicas práticas, muito, muito, muito eficazes. Se seguirem estas quatro dicas, verão a diferença extraordinária que acontecerá na vossa prática.
São dicas que podem aplicar com os indivíduos, com a grande maioria deles, algumas podem aplicar com todos, outras com a grande maioria deles. Especificamente a quarta, talvez seja a mais importante. Por isso, fiquem até ao final para acompanharem estas dicas e depois, quando as aplicarem, voltem aqui para comentar, para me dizerem como foi o resultado destas intervenções.
[Música]
O meu nome é Lucelmo Lacerda, sou doutor em educação pela PUC São Paulo, fiz o pós-doutoramento na Universidade Federal de São Carlos, no departamento de psicologia, a estudar inclusão escolar da pessoa com autismo, práticas com evidências, e sou professor de escola, de sala de aula.
E eu queria falar muito de alguns aspetos mais práticos, algumas dicas bem práticas que podem implementar nas vossas escolas para reduzir este quadro, para evitar o que é até mais interessante, não é? Se não tiverem este quadro de agressividade, aproveitem estas dicas, e assim podem evitar que isso aconteça na vossa escola, está bem?
Bem, a primeira dica, pessoal, é muito importante, útil não só para crianças que não falam, mas também para crianças que falam. Isso é muito importante, porque há pessoas que confundem esta dica especificamente, que diz respeito à rotina visual. O que é isso?
É quando organizo visualmente o que o indivíduo vai fazer durante aquele dia. Então, o que é que tenho durante este dia? Tenho tais aulas, tenho tais atividades. Pego naquilo e faço uma rotina com todas as atividades, não é, da primeira à última. E assim, este indivíduo vai visualmente, sabendo o que vai fazer e fazendo uma modificação à medida que vai fazendo. Por exemplo, pode ter duas, duas imagens uma ao lado da outra, e quando termina, passa de um lado para o outro, não é, do 'vou fazer' para o 'já fiz', ou então, coloca numa caixa.
São duas possibilidades. Há muitos dados a favor da rotina visual, inclusive para crianças que falam e que têm o que é falado. Por algum motivo, isso reduz a ansiedade, mesmo que sejam atividades novas, atividades que ainda não foram feitas.
Há uma pesquisa de 94, Flannery Horner, em que pegaram crianças com autismo e, em certas circunstâncias, apresentaram ou não a rotina, faziam atividades novas ou atividades já conhecidas.
Mesmo que as atividades já fossem conhecidas da criança, se não houvesse a rotina visual, elas apresentavam mais casos de agressividade para tentar sair daquelas atividades. E mesmo que as atividades fossem desconhecidas, se fosse a primeira vez que as fossem fazer, se a rotina já tivesse sido apresentada com aquelas atividades, a agressividade diminuía muito. E houve uma série de outros estudos a demonstrar essa relação. Então, essa é uma coisa que podem fazer, é uma coisa super barata, não é? Fazem aí uma plastificadora e uns velcros, conseguimos fazer na própria escola. Então, esta é a estratégia de sucesso, pessoal. Apresentar visualmente o que vai acontecer.
Por exemplo, vou apresentar-vos aqui visualmente que agora vão fazer o seguinte: vão dar um like, conseguem ver aí visualmente, vão carregar no sininho e vão selecionar 'todas' para receberem todas as notificações e vão subscrever o canal se ainda não o fizeram, não é?
Então, é uma estratégia de sucesso aqui também para continuar a levar-vos informação de qualidade, está bem?
Bem, segunda estratégia importantíssima. Sempre que falo desta estratégia, quem é da sala de aula fica confuso, não é?
Vimos de uma tradição muito diferente. Quando o indivíduo volta para a escola, ele volta neste contexto de pandemia muito mais sensível, muito mais sensível ao barulho, muito mais sensível a fazer atividades que não precisava fazer, porque estava em casa, estava num outro contexto. Quando ele volta com todas essas dificuldades, qual é o nosso primeiro alvo de ensino? Não é, sei lá, o que está a ensinar em matemática, português, história, sei lá o quê. Não é esse o nosso primeiro objetivo de ensino. O nosso primeiro objetivo, e aí entra este olhar científico, o valor deste olhar é o indivíduo aprender, o indivíduo aprender a fazer atividades na sala de aula.
De modo que, no início, em geral, se este é um quadro de um indivíduo assim mais sensível, eu não vou dar atividades novas, não vou dar atividades que ele ainda não saiba. Vou dar atividades fáceis, 'sopa no mel', só atividades que ele já saiba. Ah, estou a aprender aqui multiplicação. Soma ele já sabe, mas agora não está na multiplicação. Então, para ele vai ser soma, que agora só quero que ele faça aquilo que é tranquilo, que é 'suave na nave' para ele, não é? Então, vou fazer atividades que ele já saiba e não atividades novas.
Perceberam isso? Ah, mas, poxa, estou a perder tempo de, não, não está a perder. Está a ensinar-lhe uma habilidade, só que para o outro indivíduo com desenvolvimento típico, essa habilidade de ficar sentado, era uma habilidade natural. Não vou dizer que é natural, não é a melhor palavra, mas só para fins didáticos aqui. Para esse outro indivíduo pode ser muito difícil. Portanto, temos de organizar de uma maneira que seja eficaz. Desta maneira é eficaz. Então, teremos como alvo específico ficar na sala a fazer atividades.
Daí que não posso introduzir outro objetivo que seja desafiador, porque haverá confusão e não vai funcionar, é simples assim, não funciona. Terceira dica quente para vocês. Sendo atividades já conhecidas, de habilidades já conhecidas ou atividades novas, nas duas circunstâncias, se há uma coisa, assim, a rigor não faz o menor sentido, não é, logicamente falando, mas que funciona muito, é dar a opção de atividade. Então, sempre que tiver um momento de atividade, em vez de ter uma atividade que o indivíduo possa fazer, tenho duas ou três, não é? E digo-lhe assim, olha, temos três atividades aqui, precisa fazer uma. Qual é que quer fazer?
Por algum motivo, mesmo que no final ele faça tudo, funciona muito bem. Então, eu, eu tenho ali a necessidade de ter um arcabouço um pouco maior, não é, ter um planeamento um pouco maior para ter atividades um pouco diferentes para a mesma habilidade. E isso tem um valor em termos de redução de comportamento problemático extraordinário.
Quarta dica. É intercalar o momento de aula com intervalos mais frequentes. E esses intervalos, idealmente, não são contados simplesmente pelo tempo, mas pela quantidade de atividades que o indivíduo faz. Então, por exemplo, vamos imaginar que em vez de eu fazer uma atividade gigantesca, eu faço atividades com menos tarefas, com menos coisas para fazer. E cada vez que ele faz a atividade, ele vai somando um ponto.
Posso contar, por exemplo, com isto aqui, ó. Isto aqui é uma economia de fichas. Depois quero fazer um vídeo só sobre isso, se quiserem, depois eu, eu falo, está bem? Isto aqui é, é, eu já comprei, mas podem fazer também. Comprei não, ganhei lá do Voz em Papel que faz uns, uns trabalhos muito legais com isso. Têm aí no, no Instagram, podem depois, quem quiser, entrar em contacto com eles também. Então, vocês, por exemplo, pegam estas fichas aqui, recolhem estas fichas, e quando o indivíduo faz uma atividade, faz uma questão, dão uma ficha para ele. Quando ele soma estas fichas, ele soma uma quantidade, portanto, de emissões do comportamento, ele tem acesso a um, um período em que vai assistir a uma coisa no telemóvel, ou vai desenhar, ou vai, sei lá, o que ele gostar de fazer. E assim consigo introduzir estas atividades que são reforçadoras, que são da preferência do indivíduo durante o período de aula. E quando faço isso de uma maneira mais orgânica, e assim consigo ter mais oportunidades de ele ter acesso a esses reforçadores, contingentes, ou seja, como consequência de ele fazer as atividades, aumento a probabilidade de ele fazer essas atividades, de ele fazer isso feliz, de ele fazer isso engajado, motivado, e depois de ele não precisar mais desses reforçadores para ele poder fazer, que aquilo já se torna uma atividade reforçadora para o próprio indivíduo. Então, eu não necessariamente preciso utilizar a economia de fichas, mas posso utilizá-la como uma ferramenta até para eu me organizar e para o próprio indivíduo se organizar e saber quando vai ter esse intervalo, o que precisa fazer, não é? Neste caso aqui, nesta tem 10, não é? Tem 10 fichas que o indivíduo vai acumulando, mas eu não preciso tirar todas. Posso, por exemplo, se ele vai receber um, um intervalo, um reforçador a cada dois intervalos, posso dar-lhe assim, daí quando faz uma atividade, eu colo isto aqui, e quando faz a outra, eu colo esta aqui, portanto, ele completa. Não preciso necessariamente tirar tudo. Mas à medida que vai ficando mais proficiente, vai conseguindo fazer mais atividades com mais autonomia, eu vou, eu vou entregando-lhe com menos estrelinha, e assim ele, ele tem de fazer mais atividades para ter acesso àquilo. Eu sempre digo que a escola, se conhecem a escola, tem algumas coisas que são extraordinárias. Por exemplo, o indivíduo sair um minuto antes para o intervalo, para o recreio, parece que está a dar um quilo de ouro para eles. É outra coisa que não faz o menor sentido, não é, mas é assim que a escola, comentem aqui, quem for professor de escola, digam se estou a mentir. Então, coisas muito subtis que podem utilizar, podem mobilizar na sala de aula que podem funcionar muito, não é, muito bem.
E por fim, a última dica, pessoal, ela, ela, não podem perder esta dica. Esta dica é muito importante, ela, ela é muito valiosa, está bem? Antes de eu dar esta dica, deixem-me dizer-vos uma coisa. Sempre que tiverem qualquer dúvida em relação ao autismo, ou educação especial, podem fazer o seguinte. Temos mais de 500 vídeos aqui no canal. Então, pesquisem no YouTube assim, por exemplo, agressividade, autismo, Lucelmo. Seletividade alimentar, autismo, Lucelmo. Inclusão escolar, autismo, Lucelmo. Qualquer outra coisa, formação de professores, autismo, Lucelmo. Podem encontrar muitas das coisas que já produzimos. E aproveitar este, este arsenal que já vos disponibilizámos. São mais de 500 vídeos, é muita coisa, não é, pessoal? Então, podem entrar aqui e usufruir. Há muitos espectadores novos aqui no canal que podem aproveitar tudo isto. Mas passando agora para a última dica.
Quando o indivíduo entra num comportamento de crise, realmente agressiva, muito séria, que muitas vezes acontece, não é, de facto, ele, naquele momento, tem de tomar a saída mais segura, não é? O ideal é que os professores tivessem um curso de segurança em crises agressivas, não é, para fazer procedimentos de intervenção física, depois falo disso noutro vídeo, mas, naquele momento, não é, conseguem discriminar, o indivíduo, em geral, não chega àquilo de uma hora para outra. Ele tem uma série de outros comportamentos, que nós chamamos de precursores, comportamentos que vêm antes, sinais que ele vai apresentando, não é? Existem várias formas de organizar isso, de registar e organizar isso. O Professional Crisis Management, o PCM, por exemplo, eles chamam de, eh, pré-crise um, dois e três, que seria assim, o pré-crise um seria quando o indivíduo, ele para de fazer atividade. Ele tem uma atividade que está a fazer, ele para, ele fica 'off-task', desengajado. Depois ele começa a apresentar uma agitação, ele começa a ter um comportamento de eventualmente falar com as outras pessoas de uma maneira mais agressiva, não é, que eles chamam de 'junk behavior', não é, um comportamento meio bobo assim, não é, acabámos por traduzir assim, mas seria, a rigor seria comportamento lixo, não é, na tradução literal. Depois ele pode começar a apresentar uma agressividade que é pontual, não é, que é, ela, ela acontece e depois ela para, contra si ou contra outro. Para depois entrar no nível de crise mesmo, que é uma agressão ou uma autoagressão continuada, um comportamento de alta magnitude, não é? Então, vamos discriminar quais são esses sinais de aceleração. Quando é que ele começou a acelerar e pode chegar a um comportamento inadequado? Aí, nesse momento, nós, idealmente, vamos redirecionar o indivíduo.
Mas esse redirecionamento, idealmente, é através de uma, de uma pequena tarefa, uma demanda muito simples. Eu chego lá e pergunto ao indivíduo uma coisa, não é? Então, ele responde-me ou ele, ele faz uma, uma demanda muito simples, peço-lhe para apanhar uma coisa no chão, e aí quando ele atende, então eu redireciono-o para uma atividade que ele, que ele quer. Coloco-o diante de uma demanda muito simples para ele terminar ali a atividade, para, para não considerar assim, que foi o comportamento inadequado dele que o fez sair, não é? Ele faz uma demanda bem mais simples e aí sim, porque ele fez aquela demanda, não é? Então saímos, redirecionamos para outra coisa, para ele de facto desacelerar naquele comportamento. Esse é o ideal, portanto, não é? Nós percebermos qual é o comportamento precursor daquele comportamento agressivo. Agora, se o comportamento agressivo de facto chegar, a crise realmente chegar, temos de tomar as decisões mais seguras ali, que podem envolver uma série de coisas, mas, de facto, não podemos ter essa mania de chamar os pais. Porquê? Porque ele está a comportar-se para sair daquele ambiente, para se livrar daquilo. Se chamamos a mãe e o levamos para outro lugar, estamos a ensinar-lhe que esse comportamento é o comportamento vantajoso para ele. Então, achamos que estamos a tomar a decisão mais segura, mas ela não é. Pelo contrário, é uma decisão que está a levar a mais insegurança para aquele indivíduo, mais insegurança, porque ele vai fazer isso muito mais do que está a fazer hoje, muito mais rápido do que está a fazer hoje. Então, a probabilidade de ter outros problemas, de esse comportamento se generalizar para todos os ambientes dele é muito grande. Então, fiquem atentos, não vamos fazer isso, não é o caminho.
Pessoal, um grande abraço, partilhem nos grupos de pais, grupos de profissionais para espalharmos o conhecimento científico, está bem? Um grande abraço.